sábado, 14 de março de 2009

OUTROS TEMPOS

OUTROS TEMPOS A história que vou narrar aqui agora aconteceu com meu bisavô na cidade Rio de Contas, lá na Chapada Diamantina (minha terra natal) história essa, que ouvia costumeiramente contada por minha Vó: Era noite!... Ele saiu de casa com minha bisavó, onde foram participar de um Sarau, em casa de um amigo. Chegando lá,quando já estavam todos reunidos, em plena confraternização, apareceu uma escrava ainda muito jovem e bonita, com um sorriso largo no rosto, onde podia-se ver todos os dentes,alvos e de tão brancos,reluziam.Ela servia a todos O meu bisavô, impressionado,com imensa e rara beleza,da moça; comentou com o seu amigo anfitrião sobre a dentadura da infeliz e linda escrava. Ficaram conversando por horas a fio,sem tocar mais no assunto,enquanto todos se divertiam.O tempo foi passando e a hora de voltar para casa se aproximava, até que ele decidiu ir embora No outro dia, logo cedo, adentrou à casa do meu bisavô, um escravo sorridente e todo faceiro, com uma bandeja de prata na mão, coberta com um pano de linho branco e a entregou, dizendo-lhe ser um presente do seu amigo. Meu bisavô, com toda curiosidade que lhe era peculiar... foi logo descobrindo a bandeja,para ver do que se tratava:quando deparou –se, com todas os dentes da escrava que ele havia elogiado na noite anterior,ficou perplexo,e indignado,com tamanha desumanidade,do "suposto" amigo Essa história marcou profundamente a minha infância e, nunca consegui me esquecer dela Por essas e outras,quando foram abolidos todos os escravos,pela Princesa Isabel, os que moravam com meu bisavô, não quiseram ir embora e continuaram a trabalhar com ele, além de outros escravos da cidade que também o procuraram para pedir abrigo Tempos horríveis aqueles, ainda bem que faz parte de um passado distante! Esses reflexos chegaram até mim, pois tenho como madrinha, (já falecida, há muitos anos) a filha de uma escrava dos meus bisavós, cujo nome era Germana. Liz Dantas

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