sexta-feira, 25 de setembro de 2009

# Era uma vez Guimba!

Mais um presente da minha amiga Leila Ferreira

Precisei de um título,espero que goste amiga.

Acabode voltar da Dra. Anete, veterinária dos meus cachorros. Até então, 3 vira-latas, todos recolhidos na frente da loja: Toninha, Marrom e Guimba. Deveria dizer que gosto dos três por igual, mas estaria mentindo, o Guimba era o meu preferido. Vira-lata legítimo, apareceu num domingo chuvoso de 2005 se esgueirando pelos beirais da loja.

Deitou no canto direito da proteção do toldo que resguarda a porta de entrada e dali não quis sair mais, nem sei se por opção ou por fraqueza, posto que era pele e osso, literalmente. Dois dias depois, como 'não fazia e não desocupava', resolvi ficar com ele. A primeira providência, escolher um nome, claro... Fiquei entre Fubá e Guimba. Fubá era o meu preferido, mas eu conhecia um tal que atendia por esse nome, então achei melhor não dar sorte para o azar. Vai que o fulano aparece na loja e dá de cara com aquele cachorro horrível atendendo por... fubá. Melhor não, melhor não. Em gíria velha, uma guimba é uma bita de cigarro, uma sobra, um resto, algo que a gente joga fora sem perceber o lugar. E sem perceber, havia encontrado o nome perfeito para o que chamei de 'o cachorro mais feio do mundo'. Infestado de carrapatos o pelo já não crescia. Infestado de vermes, mal se aguentava em pé. Os carrapatos tirei um a um. Levei dois dias nessa peleja. Parece incrível imaginar alguém tirando um a um carrapatos de um cachorro. Mas ele gostava tanto do toque em seu corpo esquálido que até tremia de prazer. E tremeu muito, eu lhes garanto. Parei de contar no 612° carrapato. Um mês depois já parecia outro, com exceção da falta de boniteza; Deus não lhe favoreceu nesse quesito. Como se isso não bastasse, pouco tempo depois, atropelado por uma moto, ganhou vários dentes quebrados, um maxilar torto e uma perna traseira semi aleijada. Queixudo e com uma perna seca, só lhe restava ser boa praça.

Ah... e isso ele era de sobra! De dia solto, a deus dará. À noite preso, dormindo num quartinho no quintal, viveu plenamente feliz por dois anos nesse regime de semi internato ocupando faceiro o tapete da entrada da loja. Quando começaram a fazer mal a ele (história horrenda que vou pular), trouxe-o para casa.

Foi um perrengue. O Marrom não o aceitava, a Toninha entrou no cio antes da hora e tive que castrar os três numa época em que mal tinha dinheiro para arcar com as despesas da casa (mas isso também é uma história horrenda que vou pular). Quando tudo já parecia calmo, com os 'postos' dignamente acertados dentro de casa - eu gerente, Marrom sub-gerente, Toninha recepcionista e o Guimba como office boy -, ele ficou triste.

Dra. Anete disse:

- É câncer linfático, não há nada o que fazer a não ser tentar aliviar a dor .

E não havia mesmo, três meses era tudo o que lhe restava.

Cheguei a pouco de lá. Fui acompanhada e voltei sozinha.

O cachorro mais feio do mundo, que também era o melhor, o mais doce, o mais amigo, o mais obediente, o mais alegre e espevitado dos vira-latas do mundo, ‘dormiu’ de olhos abertos olhando para mim.

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