quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Silêncio

Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma,a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos... Aprenda com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou,a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, a evitar reclamaçõesvazias e sem sentido... Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples,valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido... Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo,existem companhias bem piores... Aprenda com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamosolhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo. Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marésque insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltamao mesmo lugar. Como a Terra que faz a volta completa sobreo seu próprio eixo, complete a sua tarefa. Aprenda com o silêncio a respeitar a sua vida, valorizar o seu dia,enxergar em você as qualidades que você possui, equilibrar osdefeitos que você tem e sabe que precisa corrigir, e enxergaraqueles que você ainda não descobriu. Aprenda com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito,na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussãoentre familiares... Aprenda com o silêncio a respeitar o seu "eu", a valorizar o serhumano que você é, a respeitar o Templo que é o seu corpo,e o Santuário que é a sua vida. Aprenda hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito,que ouvir ainda é melhor que muito falar... Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com umsilêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido comfraqueza, apatia ou indiferença. Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedidade reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todosos abusos. Acredita-se que o silêncio não combina com o poder,pois este tem-se confundido com prepotência e violência.Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Solque nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescossistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça deuma janela sem a quebrar. Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as faces deuma criança adormecida sem a acordar; vamos encontrarna natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poderanda de mãos dadas com a quietude. As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupendavelocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deramsinal da sua presença pelo mais leve ruído. O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões,circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença. A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo,atuam com a suavidade de uma aparente ausência. Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homemnão consiste em atos de violência física. Quando um homemconquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acabaem benevolência. A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder. Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarema mais perfeita quietude e benevolência. Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que amaioria dos homens nem percebe a Sua ação. Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantémo Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dosbandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza. Até mesmo a morte chega de mansinho e, como hábil cirurgiã,rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-ado cativeiro físico. O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência. "Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra"."Boa Terra em teus pés, Água o bastante em tua semente,bom Vento para o teu sopro, Fogo em teu coração emuito Amor em teu ser.? "O êxito ou o fracasso de sua vida não depende de quanta forçavocê põe em uma tentativa, mas da persistência no que fizer." E em respeito a você, eu me calo, me silencio, para que vocêpossa ouvir o seu interior que quer lhe falar, desejar-lhe uma vidavitoriosa. *Jean-Yves Leloup, doutor em Psicologia, Filosofia e Teologia, escritor,conferencista, dominicano e depois padre ortodoxo, oferece através dosseuslivros, conferências e seminários um aprofundamento dos textos sagrados,assim como uma abordagem e uma reflexão extremamente ricas sobre aespiritualidade no quotidiano graças à uma formação pluridisciplinar deraracomplementaridade. Membro da organização das Tradições Unidas, doutorhonoris causa e ciências da Universidade de Colombo (Sri Lanka),Jean-YvesLeloup ensina na Europa, nos Estados Unidos e na América do Sul emdiferentes universidades e institutos de pesquisa em antropologiafundamental. É autor de mais de cinqüenta obras, além de ter comentadoetraduzido os evangelhos de Tomé, Maria de Magdala, Felipe e João. Eleparticipa igualmente de vários encontros entre as diversas tradições.

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